Quando a criança sente dor (em repouso ou durante o movimento), ela não consegue se acalmar e isso interfere em funções essenciais como: succionar, deglutir, digerir e dormir. A dor na infância contribui para o desenvolvimento motor desordenado, para o surgimento de aspectos comportamentais alterados e de respostas não funcionais aos estímulos externos. Isso quer dizer que a criança irá aprender uma forma inadequada de comunicar e reagir quando sentir algum incômodo.

O desenvolvimento da coordenação motora e da postura é determinado pela normalidade na excitação autônoma (sistema nervoso simpático e parassimpático) e pela estabilidade emocional do bebê.

Um trauma sofrido pelo bebê, sendo ele doloroso físicamente ou emocionalmente, irá interferir na capacidade de auto-regulação e consequentemente de aprendizado.

 

- Dores Musculo-esqueléticas:

A integração de reflexos primitivos (motores) requer: pensamento, planejamento, avaliação, refinamento e sucesso. Uma ação consciente determinada, quando feita com sucesso (sem nenhuma interferência biomecânica), torna-se uma ação subconsciente do tronco encefálico, e portando torna-se um reflexo aprendido.

A aprendizagem do bebê ocorre através da exploração e manipulação do meio ambiente. Por isso, quando existe qualquer dificuldade em se movimentar ou quando o movimento não é feito com a mesma facilidade bilateralmente, pode ocorrer atraso no desenvolvimento.

Quando o bebê ou criança sente dificuldade em virar a cabeça (ou olhar) para um dos lados, significa que existe um desequilíbrio muscular. Mesmo que não seja perceptível pelo posicionamento estático do pescoço e cabeça, isso caracteriza um torcicolo (congênito ou adquirido) e consequentemente alteração no processo de desenvolvimento.

O refluxo pode ser gerado por questões mecânicas, como: alteração no funcionamento do músculo diafragma e alteração na mobilidade de tronco e cinturas escapular e pélvica.

 

- Questões cranianas:

A inervação sensorial do periósteo craniano é nociceptiva e também mecanossensível por causa da distribuição do nervo trigêmeo e pelas vias aferentes durais das áreas de sutura. Isso significa que qualquer bloqueio neural ou de suturas no crânio do bebê irá contribuir para o aparecimento de dores na face e/ou de cabeça. Lembrando que o formato da cabeça do bebê NÃO determina se existe um bloqueio craniano. É necessário avaliar sintomas e a mobilidade das suturas para decidir por esse tipo de tratamento.

Uma alteração do nervo vago (X par cranino) causado por uma tensão muscular ou por um bloqueio craniano (forame jugular e sutura occipito-mastóidea) pode alterar o equilíbrio do Sistema Nervoso Autônomo levando a repercussões em diversos órgãos gerando sintomas como cólica, refluxo, alterações digestivas e intestinais.

Uma alteração de posicionamento entre o occipital e as primeiras vértebras cervicais pode gerar dores de cabeça, na face, e alteração do tônus muscular principalmente da cintura escapular.

As enxaquecas são causadas por controle neurogênico desordenado da circulação sanguínea craniocervical. Os vasos sanguíneos cerebrais são afetados por neurônios trigeminais, vagais e cervicais superiores que convergem no núcleo trigeminal no tronco cerebral.

 

- Sucção e amamentação:

As primeiras vértebras cervicais tem grande influência sobre o reflexo de sucção. Ligações fasciais e musculares entre essas vértebras, a base do crânio, o osso hióde e a mandíbula justificam alterações mecânicas que podem interferir na deglutição e consequentemente no ato de mamar. Além disso, uma tensão muscular ou bloqueio articular nessa região pode estimular o nervo occipital maior e o núcleo trigeminal caudal, gerando estímulos de dor interferindo no ato de mamar.

Uma alteração no movimento da língua atrapalha o ato de mamar. Isto pode estar sendo gerado por desequilíbrios musculares (musculatura temporal, masseter, digástricos, supra-hióides e etc) e por encurtamento de um ou mais frenos da boquinha.

Se o bebê sente alguma dor ou desconforto durante o ato de mamar, ele irá abrir a boca justamente para diminuir a sucção na tentativa de aliviar o incômodo antes de continuar se alimentando. O problema é que o ar que entra nesse momento é irritante para o sistema gastro-intestinal e irá alterar o peristaltismo destes órgãos gerando constipação (ou diarreia)e até cólicas.

Também é importante lembrar que práticas anormais durante o ato de mamar, como: incapacidade de selar o lábio no seio, deixar que o ar entre para aliviar dor, costume de jogar a cabeça para trás e mamadas excessivamente demoradas irão contribuir para que o bico do seio da mãe fique machucado e consequentemente o ato de mamar não seja prazeroso para bebê e mamãe.

 

- Cólicas:

A cólica pode estar sendo gerada por uma resposta do nervo vago a algum estímulo aferente de dor no próprio sistema digestivo ou em outro local. Por isso é importante investigar e tratar (se necessário) dores articulares e/ou musculares além de regularizar o funcionamento dos órgãos envolvidos.

A cólica em bebês é auto-limitante podendo gerar atrasos no desenvolvimento e reações de estresse a mínimos estímulos. O estudo de Miller JE, e Phillips HL intitulado ¨Long-term effects of infantil collics¨ mostra que bebês que tiveram cólicas e não foram tratados, desenvolveram padrões comportamentais negativos aos 2 e 3 anos de idade.

Também é válido lembrar que a alimentação da mãe interfere diretamente no estado de cólica infantil. Comprovadamente alguns alimentos são inflamatórios para pessoas de qualquer idade. Quando esses agentes inflamatórios fazem parte da alimentação da mãe, estarão presente no leite materno e irão causar consequências dolorosas para o bebê.

 

- Sono:

Não é considerado saudável nem o sono excessivo, nem a agitação que atrapalha o sono. Nas duas situações, existe uma alteração na maturação neurológica. Isso quer dizer que o Sistema Nervoso Autônomo (simpático, e parassimpático) não está funcionando de forma harmônica.

O sono excessivo atrapalha na amamentação e diminui a interação do bebê com o meio ambiente prejudicando o desenvolvimento. Em contrapartida, é durante o sono que o Sistema Nervoso Central armazena as experiências vividas durante o estado de vigília e gera o aprendizado. Também é importante reconhecer que um bebê que não dorme bem fica irritado, com isso sente mais dores e altera a sua interação com as pessoas e o meio ambiente.

Vários fatores podem gerar esse desiquilíbrio, como: dor musculo esquelética ou em algum órgão (ex: cólica), bloqueio craniano, bloqueio occipito-cervical, acontecimento estressante para o bebê além de fatores relacionados ao ambiente.